quinta-feira, 25 de março de 2010

ANOS DEPOIS

Essa sala de tralhas
afana meu ar...
Um bago de morte
rola quieto
no umbigo da noite

Nosso sonho ruiu
nosso jogo acabou...
Nossa espera
é um ranço
águas turvas
rachadas...

Um dia qualquer
não sei quando
findo o último ato
toco fogo na casa
me dano de vez...


Luiz Antonio Ferraz

Um comentário:

  1. deixarei aqui meu grande poeta e amigo, minha saudade.
    Ao herói trágico.
    Trágico guerreiro que suportou todas as provações humanas.
    Que até o fim doou um pouco de sua sabedoria.
    Eletrizando com sua inteligência poética.
    Sensibilizando com seus poemas rocki'n blues.
    Ensinou o olhar a apreciar Antonioni, Feline, Truffaut, Gordard.
    Meu guru, mestre dos infinitos acervos, baú lacrado de preciosidades.
    Das noites alucinantes Nouvelle Vague.
    Dos sons varando madrugadas Led, Beatles, Stones.
    E aqueles filosóficos intermináveis debates revirando Nietzsche, agora Deleuze, quem sabe Guattari.
    Mestre Zaratustra que Lá das montanhas ainda nos toca com sua palavra poética.
    Aquele que se recolheu do mundo procurando sua paz.
    Que tentou salvar sua delicadeza e calmo na sua cabana esperava a dor sarar.
    Não suportando mais o mundo e suportando todo o mundo.
    Agora no alto do penhasco nos ilumina com sua lanterna dourada.
    Solitário andarilho, nós teus seguidores, víamos tua luz neon
    Atravessar as paixões, as desilusões.
    O tempo esvaindo-se os cabelos branquecendo, a voz sumindo.
    Também sofremos como Bergman e seus morangos silvestres e amamos como Glauber em terra em transe.
    Presenciamos o desespero de Che de Soderberg na Bolívia. Rimos com Wood Allen.
    Ouvimos vários riffs de guitarra de Page a Santana.
    Cada livro que abrimos escutamos o teu sotaque no virar das paginas.
    Recordando sempre as tuas descobertas literárias, cinematográficas e existenciais.
    Estávamos atentos ao teu caminhar e em teus passos pela história.
    Não se percebe a olho nu, mas também adquirimos um pouco de você em nossos cérebros gigabytes.
    As lições filosóficas até as grandes transformações políticas.
    Sempre antenados, embora poucos saibam que aprendemos contigo.
    E se escrevo hoje, se tento escrever é porque um dia ouvi muito dos seus blues.
    E lembro-me desse, que para mim, sempre será um clássico da sua poesia!
    “Fim de tarde, desço sozinho a enseada de Botafogo. O sol morrendo no mar faz o céu ficar da cor dos seus cabelos. Você é um veneno moreno que bole e mexe comigo e vai embora. Eu fico um gato nervoso, fico elétrico na barra da grama, esperando a noite começar”.

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