sexta-feira, 19 de março de 2010

ABUTRES

O meu centro
È um horizonte
de cinzas

A nossa casa
Irmão
Se desarrumou

A poeira
Grassou
Nossas camas

Os corredores
São grandes
Demais

O mato
Tomou conta
Da nossa casa tão bela

E eu não sei
Que dia é hoje
Se chove
Se faz sol
Ou se tém mar

Lá fora
Os abutres famintos
Em volta dos pórticos
Das nossas janelas

E eles querem
Nossa cabeleira negra
Tão negra
Nossa carcaça frágil
Nosso sonho de Adão...

Luiz Antonio Ferraz

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