Outono da minha maldade
artérias e vasos azuis
musgo e plantas aquáticas
num antigo tanque de carpas
De onde vêm essas lembranças ?
A primeira gazeta de aula
O gosto intenso do sorvete de açaí
As idas ao cemitério no final da tarde
com minha mãe
O sabor sumarento das mangas...
Uma cuia de tacacá com jambu
um tucunaré frito
comido no fim de tarde
À beira do Rio Araguaia
De manhã
tapioca, manteiga de lata e café
fumo de rolo em espirais
embalo de rede
o prazer de não pensar em nada...
As horas desaguavam no nada
os espíritos brincavam nos quintais
de biribás, abricós e pitombas
Havia pilões e vovós-mamães-grandes
Amas de leite e folguedos vários
Havia uma luz meridianamente linda...
Havia um que de Brasil-Colônia
Em cada canto
As águas cristalinas do Negro
Flertavam dengosamente
Com o Solimões
Os botos celebravam a Festa das Moças Novas
Havia dabacuris e Quarups
O brilho dos corpos pintados com urucum
para o combate
A lassidão e a preguiça
das brincadeiras na rede...
Tinha o canto de acauã
O trinado do corrupião
E o gralhar das maritacas azuis
Esse país mítico
É o elo que me mantém vivo
É a Terra pra onde um dia qualquer
Eu vou com certeza
Me reencontrar
Com meus ancestrais queridos...
Como dizia Rosa
A gente num morre
A gente se encanta...
Pra Carlito Ferraz
Eterno raro brilhante ...
Luiz Antonio Ferraz
sexta-feira, 19 de março de 2010
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