sexta-feira, 19 de março de 2010

BODAS DE SANGUE

"A tua boca junto à minha,
oh! estrela, a cigana
sob o ouro solar do meio-dia
morderei a maçã.
... há uma torre moura,
da cor da tua carne campesina
que sabe a mel e aurora.
... por que me deste
cheio de amor esse teu sexo
de açucena ?
...a tua boca junta à minha,
oh! estrela, a gitana
deixa-me sob o claro meio-dia
consumir a maçã...
(Garcia Lorca)


Rubras rosas
lábios rubros
do meu amor

Bendigo o tempo
que nos perpetuou
espelho
par de diferenças
gravidez
vária unidade
a se afirmar...

O desejo me queima
a paixão me lambe
hora como incêndio
hora rio
à desaguar
hoje-ontens

Minto que estou calmo
mas ardo...
Tento Mozart
o amor
é como doce adaga
que afaga
e corta...

Te conheço
desde tempo
onde impossível
precisar começo

Te namoro
desde era
em que o amor
diluía-se
no Éter...

Te espero
desde tempo
em que os homens
conversavam
com os animais

Te advinho
desde época
em que havia
duendes e princesas

Roubamos
o fogo dos deuses
pagamos preço
durante tempos

Os deuses
outrora implacáveis
renderam tributo
à força do amor

Rouca
Louca
Ariana dos meus delírios...

Feitiço
definitivamente
desfeito
podemos
debaixo do meio-dia solar
morder
serenamente
a maçã...

Luiz Antonio Ferraz

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