sábado, 24 de janeiro de 2009

RÉQUIEM PARA KIKA

RÉQUIEM PARA KIKA

Quando eu chegava em casa
por volta de dez da noite
teu latido forte
fila de coração doce
prenunciava meu chegar

Me lembro das brincadeiras
e do teu medo de banho
do teu pelo caramelado
que brilhava ao sol

Teus olhos amendoados
eram tristes
e paristes Simba e Pandorinha
preservando a linhagem dos filas
do Rancho Fundo

Eu e Mércia
acompanhamos tua agonia
silenciosa
e fostes morrer
debaixo do pé de açaí

A ausência do teu latido
e do teu jeito doce
ecoam pela casa e quintal

Não me tragam Rexs
Rusks ou pastores
eu tenho internalizada
em mim por inteiro
tua presença
ela me conforta
e me dói !

Jnaeiro de 2009

Luiz Antonio

2 comentários:

  1. Querido Tonho,
    Da tua emoção recorrente ao "falar" da Kika, fica a beleza e a força dos afetos sinceros.Belos por serem honestos e despretensiosos;Fortes por terem o poder de transcender tudo: linguagem, direnças e valores...
    Tenho a impressão de que esses poucos e belos afetos são as únicas "verdades" dessa vida errante e incerta.
    E, por falar em afetos, foi você que nos aqueceu naquele domingo, pois trouxe para nossa casa o cheiro do aconhego do açucar da vida. Você nos conduziu à amizade e a trama nostálgica lembranças que costuram nosso passado, sustentam o nosso presente e arvoram nosso futuro. Volte sempre!!
    Beijos de nós todos!

    ResponderExcluir
  2. Raquel !
    Que bom tua visita e tuas falas permeadas de sensibilidade e ternura ! Léo e D'Aguia estão de parabéns ! Fiz uma cópia completa do "Lavoura Arcaica" e da próxima vez que nos vermos, levo uma cópia pra você !

    Abração Grande

    Do Amigo Tonho

    ResponderExcluir